sexta-feira, 15 de março de 2013

Minha homenagem a mim mesmo...



   Meu consultório estava às moscas. 
   Não, não é no sentido metafórico. A tiazinha da limpeza tinha ido embora há uma semana e o lixo se acumulava pelos cantos, sobras de sanduíches do Subway misturados com luvas, seringas, e outras coisas. Então as moscas adoravam. Só tinha sobrado a secretária, que por sinal era muito gostosa. Não sabia o que aquela mulher estava fazendo ali, com aquele corpo eu já teria conquistado a América inteira, ou dado pra América inteira, sei lá. Seus peitos eram tão grandes quanto sua incompetência, aliás peitos são a prova viva de que homens conseguem, sim , fazer duas coisas ao mesmo tempo. E eu era um homem de peitos. Minha primeira e única tentativa de seduzi-la, puxando intempestivamente pro meu colo, tinha acabado numa sonora bofetada. Ela tinha uma puta mão pesada, e eu acho que  gostou. Estava no papo.

   Eu não conseguia entender o que tinha acontecido comigo. Meus pacientes tinham ido quase todos embora, junto com a vozinha da limpeza. Agora chamava de vó porque aquela mequetrefe tinha me abandonado também. Eu tinha uma formação excelente, faculdade e residência em uma faculdade federal renomada, estágio nos Estates, etc. Alguma coisa eu teria que rever. Baixei o preço das consultas para preços bem populares, como 10 pratas, e nem assim eu conseguia pagar nem o aluguel de um cubículo no Méier. E era Méier no lado ruim, nem Dias da Cruz dava.

   Sempre tive vontade de me anunciar tipo 007. Bond, James Bond. Acontece que meus pais fizeram um acordo cretino, em que cada um pegou  nome ou sobrenome, tiraram no palitinho o que cada um iria escolher. Meu nome tinha sido decidido pela merda de um palito. Caiu o nome pro meu pai, que era fã do eterno cowboy da trilogia do Sérgio Leone, junto com Lee Van Cliff. E pra minha mãe o sobrenome e a desalmada tinha posto Costa Pinto da Silva. Porra mãe, Silva? É pra manter a brasilidade, ela me explicou uma vez. Pensando bem, poderia ter sido pior, como José Eastwood. Aí sim eu ficaria muito puto.

A secretária gostosa (não consegui prestar atenção no nome quando ela disse, estava hipnotizado pelo decote) deu um berro da recepção  alertando que havia uma consulta. Tinha vendido o interfone para pagar a conta de luz. MANDA ENTRAR!- Berrei de volta.
Uma mulher meio assustada e uma criança de uns 5 anos ranhenta sentaram à minha frente. Eu os conhecia de algum lugar.
- Bom dia, Doutor – ela parecia preocupada
- Hum...
- Então, eu estive aqui ontem ,lembra?
- Não. – resmunguei. Ela começou a torcer as mãos de nervosismo.
- Lembra doutor, eu estive aqui com o Lucas, o senhor diagnosticou otite externa, e o senhor receitou pingar 2 gotinhas no ouvido direito.
- E qual o drama minha senhora?
- Pois é, fiquei em dúvida se era pra pingar no direito dele ou à minha direita quando olho de frente.
Eu não aguentei. Levantei, dei um soco na mesa e proferi, depois de alguns impropérios impublicáveis.
- A SENHORA PINGA NO QUE ESTIVER DOENDO!!!
Ela, claro saiu correndo esbaforida. Eu ainda tentei passar uma banda nas pernas dela, mas não consegui. Melhor assim.
- PRÓXIMO ! – era a última daquele dia miserável.
Adentra um casal meio ressabiado, olhando para os lados. Sentaram.
- Pois não? Os dois tinham marcado consulta. Eu ia começar pelo cara.
- Então doutor, meu problema é um sangramento...por trás..., mas confesso que estou bem desconfortável porque...
- Moleza! Arria as calças e olha pra parede– eu cortei o cara , estava louco pra ir embora.
O cara não teve outra opção, fez o que eu tinha dito, reclamando de constrangimento. Eu peguei xilocaína geléia, passei no dedo e fiz um toque retal digno do cimeriano Conan, o Bárbaro.
- Ai, porra! Doutor, isso dói! – 
- Pronto, parceiro, vou te pedir uns exames. Quero lembrar que quando te passarem um colonoscópio, você vai sentir saudade do meu dedo.
Virei para a mulher.
- E você, não vai me dizer que é a mesma coisa do seu marido?
- Doutor, ele não é meu marido.
- Namorados, então. Desembucha.
- Doutor, eu nunca vi esse senhor na minha vida.
- O que???
- Acho que era isso que ele estava tentando te explicar. Sua secretária deve ter se confundido e mandou a gente entrar juntos. Achei que seria normal, pela mixaria que a gente paga aqui, nada mais normal que consultas duplas, certo?

Coloquei os dois pra fora, fui à recepção e dei um esporro de marinheiro, aliás que não se dá nem em um marinheiro. Ofendi até uma tataravó da secretária boazuda, chamando de messalina. Ela deu outro tapa  no meu rosto e foi embora dali mesmo. Tive certeza que ela me amava.
Silva, Clint Silva. Resolvi  usar essa apresentação. Agora sim eu estava sozinho. Acho que vou ter que me mudar pra um cubículo em Bangu ou depois, na Avenida Brasil. E eu odiava calor, tive receio de começar a tratar as pessoas mal por causa do calor. Bom, paciência, melhor Bangu que Baixada Fluminense.

Nota do autor: Os dois casos são verídicos de alguma forma. O caso do casal aconteceu com Dário Vianna Birolini, que escreveu o ótimo “Estratégia da Lagartixa”, que conta a vida nos bastidores da medicina. Claro que ele não conduziu o caso como o personagem. É um lord, principalmente quando eu estou perto.
domingo, 20 de janeiro de 2013
Mais uma piração do Luis depois de fumar um, uma paródia dos 50 tons de pó branco...



Capítulo I


No começo era dor... lombar... Um gosto de vinho Sangue de Boi misturado com água sanitária na boca. Sente os lábios inchados. Está nu. Acorda. Levanta do chão da cozinha, sem se recordar o porquê está lá. A casa revirada, como se um ciclone tivesse varrido todos os cômodos de seu pequeno quitinete em São Gonçalo. Levanta cambaleante e observa que seus pulsos e canelas estão marcados, como se tivesse sido algemado ou amarrado por muito tempo. Fica neste momento, mais preocupado e intrigado. Caminha até o banheiro e olha para o espelho, e brada: - A festa foi foda...
Esta totalmente (mal...) depilado, como se tivesse sido feita por um parkinsoniano com lâmina cega. Ao tomar banho, sente o arder da água e do sabão sobre as escoriações das extremidades e da depilação.
Ainda de toalha, abre a porta da entrada e segue até o escaninho do correio. Pega a correspondência (só uma carta) e caminha pelo corredor de volta a seu apartamento. Nesse instante, abre a porta do vizinho. Esta, uma senhora na casa dos 70 anos, com erisipela nas pernas e muleta. Fita-o nos olhos e vocifera:
- Filha da puta. Deu uma festa e não me chamou...
- Eu te conheço ?
- Ah piranha... agora resolve cagar pra mim. Não é porque agora tem uma namorada de quase 2 metros resolveu me esnobar... foda-se então...
Esta bate a porta. Fica intrigado, pois além de desconhecer (ou lembrar...) de qualquer intimidade, por mais tênue que seja, com a vizinha, desconhece se tem ou já teve uma parceira com altura de modelo. O dia (e a noite anterior) passou a ser um enigma a ser desvendado.

Acomoda-se no seu sofá minúsculo de dois lugares e, com uma mistura de excitação e receio abre a carta. Logo vê que se trata de uma conta. Mas não é uma conta qualquer... é um boleto, um extrato de cartão de crédito. Seu sangue gela, suas extremidades aquecem, bem como suas genitais, o ânus e o períneo. Um misto de dominação, passividade e expectativa de ser possuído economicamente pela operadora do cartão de crédito. Desdobrando a folha, dobrada em três, sente desfalecer suas forças, permitindo que a bandeira bancária o possua, vindo por trás, de sopetão, cobrando juros, anuidade, IOF, rotatório, isto é, tudo e mais um pouco deste corpo dominado, aberto e arreganhado pelo sistema financeiro.
Não reage. Tenta dar um grito de horror ao ver os números (enormes... como o banco é guloso...), mas é sufocado pela passividade da mais-valia do trabalhador, que preenche sua pequena boquinha de lábios grossos com a demagogia de um esquerdopata. Culpa do Lula, diriam alguns, mas sabe que é consequência dos últimos meses de excessos de gastos em noitadas regadas a álcool, drogas, couro, látex, vaselina e promoções em 10 vezes sem juros, como se não houvesse amanhã. Mas o amanhã chegou, ou melhor, chegou o dia 5.
Os esfíncteres relaxados, taquicárdico, pálido e acocorado pelo impacto do estupro financeiro, que o deixa falido/desfalecido no chão da sala. Escorregou com seu próprio suor, misturado ás suas secreções mais íntimas, ao ser violado pelo seu extrato. Gozou ? não sabemos. Na verdade nunca saberemos... Nem teve tempo de se recompor, ouve o toque da campainha. Pensa: mais más notícias não posso suportar...
Está desorientado, não lembra de seu passado recente e, pelo visto, seu futuro é incerto. A possibilidade de ser cobaia para experiências médicas ou oferecer-se para participar de “eventos íntimos” que ocorrem penetração, sem fins reprodutivos, apenas recreativos, à soldo (cachê) passa a ser razoável. Muito fora de propósito, inoportuna até, uma visita a esta hora. Estou em crise porra...
Mas a campainha toca insistentemente, quase ritmada, com um mantra. Irritado, segue a passos duros até a porta, e a abre. Qual é a surpresa ao ver três personagens, que por mais bizarros na aparência o são, estranhamente são familiares: um anão de sunga branca, besuntado de óleo, um talibã travesti (com barba e dinamite) e o Serginho com um guardanapo na cabeça, calça de couro, com uma coleira no pescoço escrito EIKE...
O anão, excitado, como se podia notar, precipita-se a falar, iniciando a conversa :
- Chegamos atrasados para a festa... Vamos, sua professora de yoga está te esperando no Chevette. A polícia já esta chegando...
Bem, será uma longa noite...

FIM DO CAPÍTULO I
sábado, 1 de dezembro de 2012

   Texto de Luis Cláudio, El Xibungóvski




O grande desafio dos poetas e letristas, além da rima rica e da clareza (ou obscuridade) da mensagem, é a procura da métrica perfeita. Na falta de vocabulário, imaginação ou talento mesmo, o autor se utiliza de subterfúgios que pendulam entre o incoerente ao bizarro.
¨Você reclama do meu apogeu... do meu apogeu¨ é tão ruim que é bom. “Cuidado com a cabeça do pimpolho” é de uma sutileza paquidérmica. “Ai ai ai... ui blau blau...” é um teste de masculinidade : cante sem dar pinta... “As canções mais tolas, tem os seus defeitos, sabem DIAGNOSTICAR (???) o que vai no peito”. Que verso é esse Lulu ? nosso dândi do Rock (Rock ?)
Mas eu tenho um carinho especial pelas letras herméticas e pseudo eruditas. Quem não já tentou entender o que W Brasil do Jorge Benjor quer dizer ? O que é zum de besouro um imã ? o que o místico clã de sereia tem a haver com isso ? Eu escrevo seu nome numa sopa de letrinhas... Ah, eu odeio Mama África...
Parece meu pastor alemão, o Darwin...
Na intenção de tentar entender “o que não faz sentido” e explicar “quando alguém está perdido, procurando se encontrar”, chamo para um debate explicando ¨o início, o fim e o meio”, dois expoentes do nonsense e da pretensão: Caetano Veloso e Humberto Guessinger...


Caetano: - Humberto, meu rei, gosto muito de te ver, Leãozinho. Eu vou fazer uma canção de amor, para gravar um disco voador. Totalmente terceiro sexo totalmente terceiro mundo terceiro milênio, carne nua nua nua. O que você acha ? Abre coração, vem me fazer feliz...

Humberto: Bah, tchê ! . Sonhando em ser astronauta, eu olho pra lua, eu sinto tua falta... Sem dúvida a dúvida é um fato. Sem fatos não sai um jornal, sem saída ficamos todos presos, aqui dentro faz muito calor. Tema tri legal... O terceiro sexo, a terceira guerra, o terceiro mundo, são tão difíceis de entender...

C: Mas as pessoas na sala de jantar, são ocupadas em nascer e morrer. Enquanto os homens exercem seus podres poderes, indios e padres e bichas, negros e mulheres, adolescentes fazem o carnaval. E você tá pra lá de Teerã...

H: Não quero perder a razão, pra ganhar a vida, nem perder a vida, pra ganhar o pão. Nem sempre faço o que é melhor pra mim, mas nunca faço o que eu não tô afim de fazer. Eu perco o sono, ao som de Yoko Ono, telefono pra você. Caê, seu baitola, tu tem coragem para encarar, frente a frente eu comigo ?

C: Humbertinho, meu chibunguinho... Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim. Você precisa saber da piscina, da margarina, da Carolina. Você precisa saber sobre mim... Esse papo meu tá qualquer coisa. Tudo que Deus criou, pensando em você, fez a via-láctea, fez os Dinossauros... Era o que dizia: Eu sou neguinha?

H: Ta me estranhando, china véia ? Minha prenda está como um cão sem dono, uma árvore no outono, no nono mês de gravidez. Não faz sentido, não faz sentido, ficar ouvindo, mas o que eu digo, não é mentira, não faz sentido, ficar mentindo. Eu confesso, eu quero viajar no seu mar de raio, é um milagre... igual Leonardo de Caprio, eu te devoro...

C: Bertinho, você comeu meu coraçãozinho de galinha num xinxim, ai de mim. Sou o seu bezerro gritando mamãe, caminhando sob o sol. O amor é cego, Ray Charles é cego, Stevie Wonder é cego. Sou sua menina do anel de lua e estrela... O que quer, o que pode esta língua?

H: Velô, meu coração é um porta aviões, perdido no mar esperando alguém pousar. Nossos sonhos são os mesmos há muito tempo, mas não há mais muito tempo pra sonhar. Depois de tanto tempo eu durmo em paz... o tempo nunca espera que cheguem os comerciais. Todo cara luta por uma menina, e a palestina luta pra sobreviver. Dá pra mim... o seu carinho... dá pra mim... o seu sorriso... dá pra mim...

C: Meu gaúcho... meu poema pra você: Travo trava mãe e papai, alma buena dicha loca, neca desse sono de nunca jamais nem never more, sim, dizer que sim pra Cilu, pra Dedé pra Dadi e Dó, flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latina em pó... gostou ?

H: Não entendi, mas não importa nada, nada, nada não... se o queu digo, não faz sentido. O tempo todo que nos gera também gera generais. Eu te amo, negro amor...

C: Eu sou neguina... Bimba birimba a mim que diga, taco de arame, cabaça, barriga. São dim, dão, dão. São Bento, sua mãe tem corrimento, corrimento vaginal...

H: Pra entender... nada disso é tudo, tudo isso é fundamental... Eu quero é tchu, eu quero é tchá...

C: PÁRA HUMBERTO... To ficando atoladinha...
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Texto raivoso, ateu, agnóstico e destemperado  de Luis Cláudio, O Silva.



Afinal, o que é fé? Acreditar que existe um ser superior, criador, que na sua infinita bondade criou o Universo e escolheu essa ridícula partícula na periferia da Via láctea para criar vida, a fins de dar glórias a ELE e adorá-lo...  Sinceramente não entendo meu propósito divino...
Considerando minha pretensa superioridade, na condição de animal racional, espécie dominante (por enquanto) deste planeta, tenho dificuldade de encontrar propósito sublime na minha existência, a ponto de um ser etéreo todo poderoso dar-me importância e reconhecer minha individualidade, na vastidão do infinito. Usando meu intelecto, concluo que sou um ser inferior, considerando as dimensões da “criação”.
Ora, estas preposições levam a uma conclusão de insignificância da individualidade e das nossas crenças (e ceticismos) diante do Universo. Somos nada diante do tudo (que boa parte é composto de nada). Considero estas conclusões um tanto niilistas, afinal para que ter a consciência de uma vida sem propósito? Melhor seria se fossemos irracionais, vivendo por instinto. Também me causa estranheza um nascer, crescer e morrer de pessoas durante nossa história, movidos pelo acaso, ou pior, como “brinquedos de Deus”.
Acreditar em um Deus dimensiona nossa existência para além da materialidade. Refreia-nos de instintos perversos e selvagens, pelo medo do castigo eterno. Imagine uma multidão hedonista, intensa, sem propósitos ou valores morais: seria o colapso. Uma vida baseada em sensações, não em reflexões, pois não teria sentido pensar no além, já que não há nada “além”.
A religiosidade baseia-se na recompensa de uma existência eterna condicionada a uma evolução espiritual, através da dor, resignação, abnegação, obediência e, se possível, amor ao próximo. O problema é que as religiões defendem amar o próximo que professe sua crença. Infiéis, ateus e agnósticos não são “criaturas de Deus”: Convertam-se ou morram nas chamas... Onde isso vai dar? Quer dizer, olhe o que já está acontecendo... Deixamos intermediários (pastores, padres, rabinos, mulás e outros) “interpretar” os desígnios de “Deus”. Estamos cada vez mais diferentes e intolerantes...
Só tenho uma conclusão: não tenho certeza de nada e tenho duvidas naqueles que tem respostas para tudo...

Como não cheguei a nenhuma conclusão, passo a palavra naquele que traz o “Fogo Vivo de Chumbo Derretido da Fé”, que tira o Diabo na porrada no corpo do possuído, descendente direto dos Merovíngeos, linhagem de sangue do casamento de Jesus (ou Chessús, como ele mesmo fala) com Maria Madalena, o Pentecostal dos pentecostais, o PASTOR METRALHADORA...

Ó Jeovah todo poderoso. Venha o fogo vivo, o vento que abriu o Mar vermelho e que trouxe a ira de Deus que derrubou as muralhas de Jericó, para me ungir, para tirar Lúcifer destes infiéis, que vivem no pecado da contestação e que abracem o amor do Deus da subserviência e da ignorância que reconforta...
VOCÊ... que o salário acabou no dia 15... isso é obra do Capeta sem o dedo mínimo, o capeta da língua presa...
VOCÊ... que olha para a sua cunhada gostosa com cara de safada e tem desejos de coito sem fim reprodutivos, apenas recreativos... isso é coisa de Asmodeu, que concebeu essa súcubo e usa a língua em chamas para falar mal de ti para sua esposa...
VOCÊ... que está com uma dívida imensa no banco, e não consegue fazer um crediário nas Casas Bahia, porque foi fiador do seu cunhado e ele não pagou nenhuma promissória... isso é coisa de Belzebu, que dorme contigo, te perturba a cabeça, e te aporrinhou para ajudar seu irmão de pecado...
VOCÊ... que brochou ao se deitar com sua esposa, namorada, noiva ou amante (amante não... amante é coisa do Diabo...) e, se tornou rotina esse papelão... isso é coisa do Cramulhão, que te faz trabalhar igual a um escravo. Chegar morto em casa, sem disposição para ir para uma academia. Procura abrigo das tensões do dia no fumo, no álcool e nos salgadinhos em frente à televisão...
VOCÊ... VOCÊ... E TODOS VOCÊ... que tem caspa, tem espinhela caída, que peida, que fala palavrão, que se masturba, que não paga a pensão alimentícia, que usa o cartão de crédito do marido sem pensar no amanhã, que vota no PT-PMDB, que acredita na Justiça, que não dá caixinha de Natal, que faz empréstimo consignado, que não faz parte de nenhuma quota de inclusão social e não recebe bolsa família... ISSO É OBRA DO DIABO...VOCÊ TÁ POSSUÍDO... POSSUÍDO

EU, PASTOR METRALHADORA, ex traficante, ex gay, ex aluno do Colégio Prado Júnior – turma noite (RJ), ex guarda municipal, ex vereador, ex segunda voz de dupla sertaneja, ex caucasiano e escroque, vou trazer a METRALHADORA DE CRISTO para enfiar no teu peito o amor de CHESSÚS em forma de chumbo derretido da sarça ardente. Vou te arrebentar na porrada da fé...
Tu vai conhecer CHESSÚS de um jeito ou de outro comigo... nessa ou na outra vida (opa... Espirito é coisa do Capeta...)
RÁ TÁ TÁ TÁ ... SAI CAPETA... RÁ TÁ TÁ TÁ ...

Procure no meu site o link para realizar o depósito bancário para continuação das minhas obras de exorcismo, caridade, aluguel do programa de TV Canal Metralhadora e da compra da minha Hillux.
Vá com fé irmão...
sexta-feira, 7 de setembro de 2012



    O ídolo futebolístico Pelé, provocado por um repórter, afirmou que “o brasileiro não sabe votar...” e, foi duramente criticado pelo pecado da opinião. O mesmo fez, tempos depois, o ex presidente João Batista Figueiredo, o último presidente do regime militar.
Essas duas personalidades não foram, em nenhum aspecto, pensadores políticos mas, basearam suas afirmações talvez na visão pragmática que nem sempre o que “emana” do povo é sábio, justo e muito menos de boas intenções. A nossa classe política não veio de outro planeta ou de outro país: nasceu de nossa elite corrupta ou de nossa choldra ignorante, que paulatinamente faz intercâmbio de “valores” desta mesma elite que execra, mas inveja...
Em uma sociedade repleta de direitos e poucos deveres, segue invariavelmente para o fracasso. Messiânicos, demagogos e neo socialistas perseguem os quixotescos “destruidores do lugar comum e da mediocridade”, difamando-os como “viúvos da desigualdade”.
Este é um país de paradoxos: quem paga a conta não tem direito a escolher o cardápio. Mas a culpa é nossa. Deixamos e batemos palmas... Disse Nelson Rodrigues:
“[Até o século XIX] o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar uma cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os "melhores" pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas”
Diante da minha expectativa que a mudança de nossa sociedade baseia-se na chegada de um meteoro, voluntario-me a ser o cabo eleitoral virtual do único ser capaz de mudar o estabilishment, o KING SIZE. Segue abaixo suas propostas de governo...


PARA PREFEITO : ALEXANDRE SANTOS LIMA, o KING SIZE

Convenção do partido
Só ele fez, só ele faz e fará. Desde 1485. Fez em Portugal, lutou contra a Máfia Chinesa, e vai fazer para você. Não roubará pois já é rico: é dono do Rio de Janeiro.
Suas propostas:

SAÚDE :

  • Baixará um decreto proibindo a morte no município do Rio de Janeiro, com a concomitante interdição dos cemitérios.
  • Criará a estatal VACINOCRUZ, onde produzirá a vacina contra o cobreiro, o lumbago, a espinhela caída, a caspa e o Funk, os grandes males do carioca
  • Criará o dia do pornô grotesco, prática que é adepto há muitos ânus...anos...

SEGURANÇA:
King Size em campanha
  • Criará uma força-tarefa com o BOPE, a Guarda Municipal e os Vingadores, sob o comando do ex-capitão Rodrigo Pimentel, acompanhado do globocóptero, onde invadirá a Terra Média, para prender SAURON, desmantelando a milícia Orc
  • Construção de um muro de 10 metros de altura, iniciando na Rua do Bispo, seguindo até a Av. Maracanã, e esta seguindo até os arredores de Vila Isabel, criando o GUETO DA TIJUCA, isolando os inconvenientes “tijucanos” do restante da cidade
  • Na foto acima, campanha pelo amor livre, embora ele tenha ficado preso aí embaixo. Criação do dia do swing.


CULTURA

Lula se arruma para sua palestra
  • Criação do dia do Branco     
  • Construção da Arena José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha, onde cidadãos que pagam seus impostos lutarão até a morte contra um “líder comunitário” de sua preferência
  • Mudar a data do fim do ano para setembro e estender o Carnaval em um mês.
  • Criação o Dia da Deseducação, com palestras de Lula, Tiririca e outras sumidades das letras no Brasil.

TRANSPORTES

  • Aterrar a Baía de Guanabara, acabando com o problema de engarrafamento na ponte Rio - Niterói
  • Alagar (mais ainda) a Av. Brasil, trazendo as Barcas (e o Jumbo Cat) para fazer o trânsito Zona Oeste – Centro

 EDUCAÇÂO

  • Criar a Faculdade de Malabarismo de Sinais, de Bater Atabaque, de Funk, de Traficante Arrependido e de Cidadania Baseada no Dinheiro Alheio
  • Das 06:00 até às 07:30 hs, leite será bombeado pelos canos da Companhia de Água, que será usado para alimentar as crianças antes de ir pra escola

GOVERNO

  • Eu (King Size), ficarei em meu trono, na prefeitura flutuante movida a raios cósmicos, fiscalizando a cidade
  • Só terei 6 (seis) secretários: um para cada dia da semana (segunda a sábado). Domingo é folga e ficará ao Deus dará (isto é, ao Eu dará...)


O NÚMERO PARA VOTAR É 666... somando forças

Texto de Luis Cláudio.


sábado, 11 de agosto de 2012
Texto a 4 mãos, meu e do Luis "El Xibungo". Qualquer semelhança com uma certa turma de Medicina da UFRJ 91/1 é mera coincidência.


- Oi.
- Oi.
- Nova aqui?
- Comecei  o estágio do internato hoje. Você?
- Residente.
- Prazer.
- Prazer, Você me daria um beijo?
- Claro que não!
- Sexo, nem pensar então né?
Dois dentes e um borrifo de sangue marcam a parede da enfermaria.
- Olá.
- Olá, que houve com seus dentes?
- Problemas amorosos hoje cedo. Já superei.
- Hum.
- E você, é nova aqui?
- Estou com diarreia, sou garota de programa e porto o vírus HIV... e você, qual é o seu nome ?
- Asdrúbal. Com licença que tenho um fecaloma para retirar de uma idosa... 
- Legal, me ensina?
- Se quiser podemos ensaiar contigo...110 ou 220?
- Babaca!
Cheirando ainda o dedo, corta para o SPA, onde vé uma linda acadêmica sensei, tara-mor do nosso leão do Serengueti.
- Koni tchuá... minha flor de lótus...
- O quê ?
- Não fala japonês ?
- Não falo é babaquês... Quer dizer que só porque sou descendente de japonês eu falo japonês ? Olhando pra você então esperaria um zurro?
- Desculpe. Eu perdi a noção mesmo. Te atrapalhei no seu trabalho. Gostaria de me retratar e compensar minha inconveniência : Que tal sairmos hoje á noite ? gosta de dançar kuduro ?
- Eu gosto é de ver bunda mole dançar... sai porra, e larga meu cabelo...
Ele sai, pensando : “Marquei minha posição. Agora é só insistir que eu pego. Tá na boca da caçapa, posso ir em outra bola...
Nosso herói avança pelo hospital, como um predador do Pleistoceno à espera de sua presa, sorrateiro, silencioso, o olhar de lince, respiração contida, quando o barulho das bandejas com medicação, seringas e sondas urinárias se espatifando no chão acordam metade dos pacientes do andar.
- Ai, merda!
- Nossa doutor, o senhor é desastrado assim sempre?
- Só quando vejo uma donzela de tamanha beleza e elegância... - ele não perde tempo e ataca novamente.
- Mas doutor, eu peso 320 kilos, não tenho os dentes da frente e esse olho esquerdo é de vidro, veja... ela retira o artefato da órbita e entrega para o nosso pequeno desastrado. Ele imediatamente completa com bastante romantismo:
- Queria eu retirar um olho meu agora e colocá-lo em sua blusa, para que se revelassem seus segredos mais íntimos...
- Doutor, o senhor me desculpe, mas pro senhor conhecer todos os meus segredos, levaria 2 semanas. E sai pra lá que eu estou menstruada!
- Amor, em campo alagado não se adia jogo. Quer bater uma bolinha atrás do gol?
Imediatamente ela aplica um mata leão em nosso Wando obsceno, ele bate a mão no chão quando está prestes a sufocar. Ela aproveita o momento e põe seu corpinho definido sobre seu tórax.
- Assim eu apaixono, meu mamute do Irajá...
 Nosso Don Juan retorna á caça, no plantão seguinte.
- Gatinha, assim você me assusta... com o seu capô de fusca...
- O quê ???  Pergunta, atônita uma linda morena sarada...
- É covardia você aparecer assim, logo no dia que eu estou com calça saruel e sem cueca... e esse olho ? o olho azul é lente, gostosa ?
- Tu é maluco ? Comeu cocô ? fumou banana ?
- Comer cocô já comi algumas vezes... mas ás vezes rola uns crepes. Por falar em comida, estou com água na boca...
- Não sei se chamo a polícia ou o psiquiatra para você...
- Deixa de merda... logo que te vi senti que você gosta de um macho bruto, rústico, para domar essa égua. Nada como uma boa montada...
- Vai se fuder babaca.  - um sonoro bofetão estala em seu rosto maltratado.
- Pô gata, please don´t go... Tinha tantos planos para nós. Ia te convidar para um show do Guilherme Arantes... 
Decepcionado e atônito, sai pela porta do hospital, compra no supermercado ao lado um pepino, mete na cueca e parte para o radicalismo, no estar médico:
- Quem está a fim de ir hoje na madrugada ir ao Maxim´s ? Hoje tem a noite da lambada...
- Lambada é a porrada que eu vou dar na sua cara agora...  Levanta um camarada com a camisa da academia Gracie, se identificando como o noivo da japonesa que ele perturbou plantão passado...
- Cara, foi um mal entendido, não curto violência... para falar a verdade nem curto mulher. Te achei um gato sarado, eu queria mesmo é “ser teu pão.. ser tua comida... todo amor que houver nessa vida”. Ele não tem tempo e agilidade para terminar sua argumentação e é surrado pelo camarada, ajudado pelas mulheres de plantão.
Sangrando, rasgado e humilhado, nosso arremedo de conquistador refugia-se em um beliche no canto do quarto de repouso. Repentinamente, adentra na sala uma senhora de cabelos grisalhos, óculos para perto, de uniforme, levando um carrinho com quentinhas e suco. Ao vê-lo, assusta-se e pergunta:
- Você está bem ? quer alguma coisa?
Com um olhar malicioso, dispara:
Casa comigo?
- Agora que te vi estou melhor. Eu quero seu telefone e um beijo na boca...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

 Enfermaria lotada. A porta denunciava o tipo de pacientes que ela abrigava.
ENFERMARIA DE Super-Humanos
Nos leitos, gente muito constrangida.

- Oi.
- Oi. Peter Parker, muito prazer.
- Clark. Clark Kent.
- Super Homem?  Desculpe, não te reconheci com esses óculos de grau.
- Impressionante, não?  Uso esse disfarce há anos e sempre dá certo. É só colocar os óculos e pronto. Não sei como as pessoas caem nisso...
- É, no meu caso é um pouco mais complicado, tenho que usar máscara e uma roupa super justa. Incomoda bastante. É só eu ganhar peso que ela fica entrando na bunda...Um saco!
- Bom, roupa justa por roupa justa, eu ainda uso a cueca por cima da calça...
- Pelo menos não marca a cueca com freada, né?
Silêncio.
- Mas por que você está aqui, Super? Deixe eu adivinhar...kriptonita!
- É.O safado do Lex Luthor não me deixa em paz. Começo a desconfiar que ele tem uma quedinha por mim...
- Tá aqui há muito tempo?
- Fui transferido da UTI hoje. Agora esperar essa bosta de convênio liberar os exames que eu tô precisando...Medicina radioativa é cara?
- Sei lá, tudo demora, puta falta de respeito...
- É. Feliz é o Wolverine, que tem recuperação ultrarrápida, nunca vem pra cá.
- Fato.
- E você, Peter?
- Caí de um prédio...- ele baixou a cabeça, envergonhado. – estava me balançando na teia e perdi o equilíbrio por causa de uma gostosa...
- Hahahaha, deixa a Mary Jane saber disso, cê tá fudido... E depois?
- Depois precisei de cirurgia e tô esperando. O meu convênio só libera material cirúrgico chinês, tenho medo de dar merda depois. Pra Mary eu falei que foi culpa do Duende Verde, ela engoliu.
- Na hora de vender o plano ninguém nos fala isso, né?
- Então!
- Pelo menos vocês tem convênio. – Um cara azul, de orelhas pontudas se materializou na enfermaria. O cheiro de enxofre não deixou dúvidas.
- Noturno! – os dois o reconheceram imediatamente.
- Eu mesmo. O miserável do Professor Xavier não fez plano de saúde pros X-Men, tô no hospital do SUS. Traumatismo craniano por causa daquele babaca do Magneto, ele jogou um carro na minha cabeça!
Tem gelatina?
-Putz!
- E daí caí no Souza Aguiar, fiquei aguardando cirurgia uma semana. Quase morri!
- E o que tá fazendo aqui? – Peter Parker estava curioso.
- Eu venho de vez em quando por causa da gelatina. Comida de Souza Aguiar me deixa mais doente do que já estou...Não deve nem ter nutricionista lá...
- Tem que ser super herói pra ficar pelo SUS...Parabéns.
- Pois é, já enfrentei vários tipos de inimigo, mas esse é o pior. E olha que só me operaram depois que o Cíclope entrou fazendo um escândalo no hospital. Feriu uns dois ou três com os raios dele...saiu até no jornal...
- A culpa sempre é nossa, impressionante. A gente livra a humanidade dos piores trastes e nem ficar doente a gente tem direito...- O Homem Aranha pontuou, desanimado.
- Pois é. Tenho um amigo, o Bruce Banner, que sofreu um acidente radioativo também. Foi tentar marcar uma consulta e virou Hulk depois da atendente falar uns 4 ou 5 gerúndios e dizer que só teria vaga dali a 4 meses. O cara ficou puto. Essa é inclusive a origem do Hulk...
- Gerúndio irrita também né.
- É um tal de “estaremos remarcando” e “ o senhor poderá estar vindo” que é foda. Não tem quem não vire Hulk...
- E cada vez que isso acontece é um prejuízo, são duas meias, sapatos, cueca, calça jeans e camisa. Não tem emprego nos Vingadores que aguente. Bom, vou voltar pro meu martírio, abraço pra vocês dois. – Banf, e um cheiro de enxofre, e o Noturno sumiu. O copinho vazio da gelatina espatifou no chão.
- Que merda hein Clark, a gente é feliz e não sabe...
- Ô...
- E eu confesso que não tenho medo de nenhum super vilão, mas...
Nesse momento  um médico entra na enfermaria.
- Bom, dia. Senhor Peter? Sou o Doutor Hugo, anestesista.
O Homem Aranha pulou pela janela, gritando “Anestesista não, anestesista não!!! Prefiro enfrentar o Lagarto todo quebradooooooooooo!!!” Foi quando ele lembrou que estava só de camisola aberta na bunda, foi jogar a teia e nada saiu de suas mãos...
Só bebendo...

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Hugo Pires Teixeira (@hugopt)
São José dos Campos e Rio de Janeiro, BR|SP, Brazil
Hugo: Médico, anestesista, mau humorado,careca máquina zero, ateu, pai, marido e peão. Levemente sarcástico. Colaboração: Luis: Médico, coreógrafo militar, escroque, boateiro.
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